A vida no campo

Comecei a ler “A vida no campo” e, ainda não tinha terminado o Anúncio, e já sabia que valeria a pena. Um cisco no olho, talvez. E a vontade de contar pequenos acontecimentos singulares que mereciam um diário regular.

Joel

Em 5 dias estive com o Joel mais vezes do que nos últimos 5 anos. Merecia uma qualquer piadola fácil sobre a quantidade de títulos do Sporting num qualquer período de tempo necessariamente longo. Mereceu, sobretudo, alguns abraços em atraso. Mas esses guardo para mim.

Volei

Campeonato Nacional de Voleibol, final 8 do escalão de Iniciados, em Esmoriz. Pelo segundo ano consecutivo, a equipa da Associação Académica de São Mamede trouxe o terceiro lugar para casa. Feito desportivo à parte, interessa-me ver os miúdos sob esse raio-x que é o desporto de competição, que os faz transparentes para os restantes. E gostei do que vi, gostei sobretudo do que vi do Francisco. Desporto faz crescer, estar em equipa também.

9 de Junho

Dia de aniversário da minha irmã mais velha. E única. E única como irmã mais velha. Sobre isto, sobre irmãs-mais-velhas, recordo sempre o episódio em que, andando pelas ruas do Caramulo perto da escola primária e do Museu, reparei numa nota de 50$00 no chão. Estávamos talvez no final dos anos 70 e, nesse tempo, ainda mais aos olhos de uma criança, 50 escudos, cinquenta m’reis eram uma verdadeira fortuna. Quando me precipitava sobre tal tesouro, impediu-me ela, a Paula, que o dinheiro não era nosso, que o dono devia andar algures por ali. De nada adiantaram os meus protestos. A nota continuou ali, no chão, à espera do dono. Ou de uma alma menos escrupulosa. É possível ser mais irmã-mais-velha do que isto?

10 de Junho

Brian Wilson, no Porto. Gosto do Primavera Sound, gosto de tudo no Primavera Sound, pelo que, a cada ano que passa, busco uma boa desculpa para ir ao Parque da Cidade. Brian Wilson, tocando “Pet Sounds”, no ano que se cumprem 50 exactos anos sobre o seu lançamento, com a relva sob os pés, com o meu Atlântico ao fundo não é desculpa. É poesia.

Corrida

Com muito esforço e maior lentidão cheguei aos treinos de 10Km. Encontro muitas razões para correr, mas a que mais me entusiasma é, chegado a casa, ver o percurso desenhado no mapa. A beleza estética das rectas e curvas apostas sobre ruas, vielas e avenidas deixa-me um largo sorriso nos lábios. Deixa-me a vontade de seguir este ou aquele caminho, de passar por um qualquer local que me foi importante, de chegar ao Senhor do Padrão de atravessar a ponte móvel sobre o Porto de Leixões. Sou um corredor geográfico, creio.

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5 pensamentos sobre “de acontecimentos irregulares que mereciam um diário regular (1)

  1. Eu fico de sorriso nos lábios de ler as tuas irregularidades. talvez porque me reconheça em algumas, tipo ser dominada pela horta (abandonei há uns anos, agora só flores) ou a corrida geográfica.

  2. Corredor geográfico, acho que sou deste tipo também! Adoro os mapinhas! Já disse uma vez, eu corro pelo mundo prestando atenção em cores e ruas que eu não sei o nome. E quando já sei, procuro olhar por um ângulo diferente, mudar o sentido, revirar a expectativa.
    Sobre abraços e Joel, não pude sentir nada mais nobre que inveja, sorry.
    E não há desculpa melhor que a poesia. 😉
    Beijo,
    Helê

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